Processo de Análise Hierárquica
O Processo de Análise Hierárquica (em inglês: Analytic Hierarchy Process, AHP) é um dos métodos mais conhecidos de análise multicritério, destinado à seleção, ranqueamento e justificação de decisões com base nas preferências subjetivas do tomador de decisão. O método foi desenvolvido por T. Saaty e tornou-se amplamente utilizado em problemas onde é necessário considerar múltiplos critérios, muitas vezes conflitantes.
Essência do método
O Processo de Análise Hierárquica baseia-se na decomposição de um problema complexo de escolha em uma estrutura hierárquica:
- Objetivo — o topo da hierarquia (o que se deseja alcançar).
- Critérios e subcritérios — os aspectos pelos quais a avaliação é realizada.
- Alternativas — as opções entre as quais a escolha é feita.
Cada nível da estrutura é comparado em pares: o tomador de decisão expressa qual dos dois elementos é mais preferível em relação a um elemento de nível superior. Tais julgamentos formam matrizes de comparação par a par, a partir das quais os pesos de prioridade são calculados.
Etapas de aplicação do método
O Processo de Análise Hierárquica é implementado em várias etapas logicamente conectadas. Cada uma delas visa refinar as preferências do tomador de decisão e construir um modelo hierárquico do problema de tomada de decisão.
- Construção da hierarquia: decomposição do problema em objetivo, critérios, subcritérios e alternativas.
- Comparações par a par dos elementos: realiza-se uma avaliação especializada das preferências (por exemplo, o quão mais importante o critério A é que o B em uma escala de 1 a 9).
- Cálculo dos pesos locais: das matrizes de comparação, são extraídos pesos numéricos que refletem a importância relativa dos elementos.
- Avaliação da consistência: calcula-se o coeficiente de consistência para garantir a logicidade e a não contradição das preferências do tomador de decisão.
- Agregação dos pesos: as pontuações finais das alternativas são calculadas através da síntese de toda a hierarquia.
1. Construção da estrutura hierárquica do problema
Nesta etapa, o problema é decomposto em níveis logicamente inter-relacionados:
- Nível superior — o objetivo geral da escolha.
- Níveis intermediários — os critérios e, se necessário, subcritérios subordinados.
- Nível inferior — as alternativas de solução.
O objetivo da construção da hierarquia é refletir a estrutura lógica das preferências do tomador de decisão e preparar a base para as comparações par a par.
2. Comparação par a par dos elementos em cada nível
Para cada nível (começando pelos critérios em relação ao objetivo e seguindo pelas conexões descendentes), o tomador de decisão realiza a comparação par a par dos elementos em relação à sua influência sobre o elemento do nível superior. As comparações são feitas usando a escala de Saaty (de 1 a 9), onde:
- 1 — igual importância;
- 3 — preferência moderada;
- 5 — preferência forte;
- 7 — preferência muito forte;
- 9 — preferência absoluta;
- 2, 4, 6, 8 — valores intermediários.
Os resultados são registrados em uma matriz de comparações par a par.
3. Cálculo das prioridades locais (pesos)
De cada matriz de comparação par a par, é calculado um vetor de pesos locais, que reflete a importância relativa dos elementos. Geralmente, utiliza-se o método do autovetor principal ou um método normalizado aproximado (média das linhas). Para cada elemento, calcula-se:
- peso local, que indica a importância dentro da matriz atual;
- peso global, obtido pela multiplicação pelos pesos dos elementos de nível superior.
4. Verificação da consistência dos julgamentos
Como as comparações são subjetivas, são possíveis avaliações inconsistentes (por exemplo, A > B, B > C, mas C > A). O método AHP inclui uma verificação formal da consistência dos julgamentos do tomador de decisão. Calcula-se o índice de consistência (CI) e a razão de consistência (CR).
5. Agregação das prioridades e ranqueamento das alternativas
Após o cálculo dos pesos em todos os níveis da hierarquia, realiza-se a agregação hierárquica — das alternativas para cima. Cada alternativa recebe um peso integral, calculado como a soma ponderada de suas prioridades locais para cada critério, multiplicadas pelos pesos dos próprios critérios. O resultado é uma lista ordenada de alternativas por grau de preferência. A alternativa com a maior prioridade integral é considerada a mais racional dentro da estrutura do problema definida.
Vantagens do método
- Facilidade na estruturação de problemas complexos;
- Capacidade de trabalhar com critérios qualitativos e quantitativos;
- Integração de julgamentos subjetivos em um procedimento logicamente rigoroso;
- Cálculo do grau de consistência das opiniões (verificação de confiabilidade);
- Aplicabilidade em decisões individuais e de grupo.
Limitações do método
- Aumento da complexidade com o aumento do número de critérios e alternativas (as matrizes de comparação par a par crescem quadraticamente);
- Subjetividade na expressão das preferências;
- Possíveis distorções com avaliações inconsistentes;
- Limitação à agregação linear para preferências complexas e não lineares.